Despedida

Esse blog tem um pedaço de mim, da minha história e dos meus desejos, mas cansei de falar de tristezas e saudades. Apesar de estar louca e intensamente apaixonada, este amor eu quero só para mim e não são necessárias declarações públicas de afeto.

Estou em uma nova fase. Um momento de felicidades e desejos  que nunca senti antes. Com os dois pés no chão e com a certeza de um amor que será vivido, eu percebi que não cabem mais em mim textos sobre as tristezas, os sonhos e os falsos sorrisos. Não há mais lamentações. Não há mais melancolia. O amor supera as saudades.

É por tudo isso que hoje eu me despeço desse blog. Me despeço por tempo indeterminado. Ele vai continuar aqui, vivo e pulsante, mas sem nada de novo.

Espero que tenham gostado do que se passou.

Se você ainda desejar explorá-los, os melhores textos estão no começo: leia este blog de trás para frente.

Espero revê-los em breve com mais cores claras do que cinzas.

Um grande beijo.

Sindy

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Melhor só

Às vezes somos meio

mas inteiros como nunca

ainda prefiro a metade

a  partes diferentes juntas

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Tormentas

A tristeza vem como uma tormenta. Ela desencadeia terremotos, erupções. Daquelas que derrubam as paredes que colocamos a nossa volta e  fazem jorrar coisas escondidas há muito tempo.

Aquilo que você pode enxergar foi só um sopro que faltava para me fazer cair quando eu estava equilibrando as dores que tinha nas mãos.

Nada teria abalado se as estruturas já não estivessem fracas. A tristeza é como uma enchente. Ela invade aos poucos e quando você percebe ela te afoga. Traz o que havia no fundo para a superfície e destrói as fachadas que você construiu só com as coisas mais bonitas.

Mas assim como as erupções, os terremotos e as enchentes, a tristeza é natural. Ninguém é forte o suficente para impedí-la.  Ela destrói, mas te ensina a reconstruir. Ela faz cair o que está sobre os muros e os próprios muros que te impedem de enxergar. Ela faz coisas emergirem, mas depois leva-as embora para longe, queima-as em suas lavas.

Ainda há dias de glória. Ainda há dias de sol. Ainda haverão dias de céu azul. A tristeza pode ser dolorosa, mas não é eterna.

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SP, 240412

São aqueles olhos tristes de quem está sempre pedindo alguma coisa, contrastando com um sorriso largo. E aquele jeito calmo misturado a uma ansiedade tão latente que faz as palavras se amontoarem.

É a ironia da cara de poucos amigos, brigando com a falta de tempo para tantos.  A mudez de quem nunca fala nada, mas sempre diz tudo.

É como conhecer a pior pessoa do mundo, só que ao contrário.

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Poesia só de passagem

Senti saudades dela e resolvi publicar este texto que mostra como ela é linda.

Poesia só de passagem

Curitiba, 2009.

Daiana Geremias é um dos nomes que constam no índice remissivo da agenda Livro da Tribo de 2010, com um tracinho e o número de oito  páginas indicadas na frente.  O nome de Daiana também pode ser encontrado em algum arquivo do Diário dos Campos  – jornal de Ponta Grossa,  onde nasceu – ou do Jornal de Londrina, onde estreou suas crônicas jornalísticas, apesar de não ter sido o primeiro lugar onde foram publicadas.

Daia, como é chamada, odeia a própria voz, mas não é por isso que quer ser cronista em vez de repórter televisivo do jornal da Globo ou comentarista da CBN, como sonham a maioria dos estudantes de Jornalismo. É que ela gosta de escrever livre, sobre coisas que nem sempre são notícia, mas são crônicas em qualquer circunstâncias.

Meio gordinha, usa óculos, e cabelos cacheados – já foram loiros, lisos e longos, hoje são curtos, negros e cacheados –  nem sempre bem assumidos. Sua roupa preferida é aquele “jeans com blusinha,  sapatilha…”. É despojada como seu escritor preferido, Mario Prata, com quem aprendeu a gostar de crônica. De crônica. Porque na poesia o ídolo é outro: Leminski, o Paulo. Aquele curitibano.

Uma mistura de gostos um pouco lógica, que aparece no humor, no dia a dia,  dizem os amigos. Dos ídolos, encarnou o gosto pelo texto e pela boemia:

Meu estado civil

Não é nada civilizado

Saio sexta noite

Volto domingo

Com um sorriso safado

(Livro da Tribo, p. 44)

Apesar do gosto pela vida, há dias em que acorda triste ou com saudade de casa e quer morrer e sumir do mundo. Deve ser para contrapor com aqueles outros (todos, na opinião da turma) em que  ri e faz rir, o dia todo. E tem aqueles dias em que nada dá certo, que para nada dá tempo. Mas ela quer mudar isso. Isso e outras coisas: “Eu queria ser mais organizada, mais empenhada, queria ter aquela coisa que eu tinha, antes mesmo de fazer Jornalismo… Também queria ser mais magra, ter um pouco mais de dinheiro”,  ri, de novo. E  conta sobre todos esses dias em seu blog, o “Universo Para Lego”, nas crônicas que não cabem aqui.

Aos 22 anos, morando longe da família há quase quatro, ela divide apartamento com o Lineu.  Leminski também dividiria. Mario Prata com certeza. Lineu é caladão, quieto. Estudante de geografia. Não são nem namorados nem pretendentes. “Fazemos comida, conversamos, saímos de vez em quando tomar café, ele ri de mim…”, comenta.  Se dão bem, são amigos e só. E amigos é uma palavra com muitos sinônimos no seu dicionário, a quem ela dedica seu tempo e sua poesia.

Um amigo me ligou chorando

estava triste

coração partido

Ofereci meus ombros e meu sorriso

meus ouvidos e meu silêncio

mas o que caiu realmente bem

foram as muitas taças de vinho.

(Livro da Tribo, p. 204)

No apartamento em que mora com Lineu, sala, banheiro, “uma cozinha minúscula” e dois quartos:  o dela equipado com centrífuga e máquina de lavar e uma bagunça admitida. “Eu arrumo, mas  pra manter é difícil!”

Difícil também foi emagrecer dez quilos, com um regime desses de comer vento e beber água, e só. Ela fez e eles foram embora. Depois voltaram. Como as promessas que reaparecem todo fim de ano: “Agora, por exemplo, é quase dezembro,  e sempre me pego fazendo promessas que sei que nunca cumprirei. ‘Vou manter meu quarto em ordem’, ‘vou comer mamão’, ‘nunca mais vou tomar coca-cola’, ‘vou para a aula todos os dias’. Mas aí minha cabeça não me obedece. Eu não nasci para ter tanta regra, sabe?”

A mãe, com certeza, sabe. Ela está no topo da lista “do maior orgulho da minha vida” e na poesia da página 166, acompanhada da vó, do irmão, dos sobrinhos, superando qualquer prêmio e encontro com o Mario Prata:

Helena, Cecília,

Orlando, Patrícia,

Cristina, Fernando,

Ana, Nadinha,

Dudu, Henrique

Ninguém os conhece, eu sei

mas que todo mundo  tem Helenas e Eduardos

Pessoas- poesia

ah, isso tem!

A inspiração?  Leminski, Mario Prata, Renato Russo,  Bukowski, a coleção de amigos e amores não correspondidos. Mais os amores, algumas vezes:

Sonhar contigo não basta

Quero deixar claro

que não sou casta

(Livro da Tribo, p. 120)

Sobre o futuro, poucas palavras. Ela não faz planos, quer viver e errar – “Errar sempre vale a pena”, diz – e sabe exatamente porque, mas escolheu Leminski pra explicar:

“Essa vida é uma viagem / pena eu estar / só de passagem”.

Afinal, explica:

“A vida é tela em branco pedindo linhas coloridas, certas de que somos todos artistas”.

(Livro da Tribo, p. 238)

OBS: O livro da Tribo é uma publicação  anual que reúne em suas páginas, numeradas pelos dias do ano,  poesias e textos selecionados.

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Eu tenho amigos e amores, como todos. Mais amores, talvez. Eu tenho estados de espírito e tenho dias sem graça, sem sal e sem limão. Eu tenho romances de filmes, e eu tenho histórias mal acabadas, recomeços sem graça, mãos fracas em pulsos firmes. Eu tenho dias de glória e dias de derrota. Eu tenho ódio e eu tenho paz.

Eu tenho os antônimos equilibrados da vida. Mas não tenho finais, porque ainda não tive começos.

 

 

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SP, 090412

Não tem muito mistério. É quando alguém te faz bem e então você percebe que está escrevendo cartas. Eu comecei e parei muitas vezes, eu apaguei todas as frases. Talvez porque tenha medo e talvez porque tenha pudor.

A verdade é que  é madrugada e eu ainda estou acordada, pensando em você.

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